B*****

B*****

Preço
R$ 20,00

No Moby Dick, Herman Melville faz suas personagens empreenderam a preseguição de um Leviatã. Em B*****, Luciano Bitencourt faz algo parecido, apesar de sua Moby Dick não ser um poderoso e mítico cachalote branco, mas sim a miríade de formas do sexo feminino (o escultor jamie McCartney apresenteou recentemente algo similar no seu The Great Wall of Vagina).

A história que se narrao não é linear, embora a forma não seja o mais importante, nem seus personagens previsíveis. As divagações da protagonista, em coma em um leito de hospital, lembram Leite Derramado, do Chico Buarque, e Quase Memória, do Carlos Heitor Cony. Acontece que na história de amor de B***** o sexo é arrebatador, convergente. Bitencourt não é o tipo de sujeito que se conformaria em descrever, por exemplo, A origem do mundo como um quadro que retrata o "sexo de uma mulher" (também estou seguro que ele tampouco se contentaria com termos com "genitália", "vulva", "vagina", ou mesmo "órgão sexual feminino"). Aqui ele faz uma espécie de censo de todas as acepções dicionarizáveis ou não para o nome do "sexo".

Deve-se destacar ainda o próprio título que, na minha opinião, deveria chamar Boceta - só para provocar a opinião do público leitor. Por fim, a pretensão de autor é apenas contar uma boa história de amor, sem os artificialismos ou modismos que tanto incomodam os consumidores de ficção contemporânea brasileira. Há ciência e arte nesse divertido livro - o primeiro de uma prometida trilogia, já se sabe.

 

Aguinaldo Medici Severino é físico, professor da UFSM e um dos organizadores, há 19 anos, do Bloomsday no Brasil.

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